terça-feira, 22 de março de 2011

Preto e... preto!



Suponho que a vida possa ser comparada com as cores...
Antes de tudo falou: - Se eu soubesse antes o que sei até aqui, faria tudo exatamente igual...

Ele tinha uma vida colorida, até o momento que descobriu as verdades escondidas debaixo de seis chaves. A sétima estava com ele o tempo todo, só bastava ser descoberta.
Desde a sua descoberta, passou a ver a maldade nos olhos de quem mais amava. Daí descobriu que tinha uma alma preta e não mais coloridinha.
O seu preto está relacionado única e exclusivamente com a tristeza adquirida com o tempo perdido e suas decepções diversificadas. Mas tudo teve seu lado bom nessa história, porque só durante a escuridão das suas noites terrivelmente intermináveis ele se descobriu. Prometeu pra si mesmo que sua vida era demais para ser tornada insignificante. A sacanagem que faziam com ele, já era tão constante, que nada mais o surpreendia. A partir daí, decidiu aprender com as mágoas do passado e esquecer tudo que não lhe acrescentasse nada de novo.
Essa parte da sua vida chama-se... Complexidade.
Daí em diante, percebeu que a absorção que o preto traria para sua vida por si só, não mais seria absorvida por uma idiota que achava que o conhecia demais. Agora o seu preto seria personalizado gradativamente. Ele já não mais se limitava, e nem tinha medo de ir atrás dos seus desejos mais loucos possíveis.
Essa parte da sua vida chama-se... Amor próprio.
O que mais irritava, era indiscutivelmente a falsidade, as idealizações que faziam sobre sua pessoa, os planos que faziam em cima dos seus propósitos e principalmente esperar dele coisas que não vão ser feitas. Agradar os demais nunca foi seu forte, simpatia era uma qualidade que só tinha com quem amava e quando sabia que esse amor de várias formas diferentes podiam ser correspondidos.
Essa parte da sua vida chama-se... Personalidade.
Apesar de saber que as pessoas não eram boas, ele ainda tinha uma mínima esperança de que poderia haver exceções no seu cotidiano que o consumia por fora e por dentro mais ainda. Só que percebeu que mais uma vez estava enganado. Contrataram uma atriz pra enganá-lo, e ele caiu no seu teatro. E sem todos saberem, nesse mesmo momento, ele passava pela pior etapa da sua vida, esse era o momento que ele precisava acima de tudo de ajuda. Mas para sua infelicidade estava completo e inteiramente sozinho. Preferiu não se abrir com os amigos e sofrer suas angustias interiormente.
Essa parte da sua vida chama-se... Monotonia.
Diante todos os seus paradoxos, descobriu uma nova saída. Devia fazer tudo sozinho, mentalizar seus objetivos. Percebeu que só precisava ser um pouco mais louco do que o normal. Seus problemas não seriam totalmente resolvidos, então passou a tentar não pensar neles por mais que não conseguisse fazer isso. Percebeu também que não podia fazer mais nada pela pessoa que mais amava na sua vida, e sabia que a perdia a cada dia que passava. O relógio ia contra sua vontade, tudo estava se desorganizando.
Diante tantos conflitos, seus planos estavam ainda de ‘pé’ e isso era que o fazia acordar todos os dias atrás da sua meta mais concreta e mais louca também. Para isso, precisou usar o seu melhor disfarce. Até que foi legal... Por um tempo sim.
Essa parte da sua vida é... Escolhas.
Vivendo com tantas contradições, decidiu não deixar que a vida passasse por ele sem trazer um sentido. Resolveu reativar seu estilo que foi deixado para trás por muito tempo. Decidiu ter uma ‘amizade’ com o tédio, seria tolice de sua parte lutar contra ele. Vestiu uma roupa nova, agora já era mais persuasivo do que nunca. Aprendeu a falar três idiomas para lidar com aqueles que queriam passar por cima dos demais: palavrão, ironia e sarcasmo. E que todos aceitem o ser sem vida que ele tinha se tornado, sério e triste. Ele não era assim, isso foi a consequência do meio em que vivia. A falsidade que o rodeava o incomodava sem definições. Mas decidiu tentar não se importar com isso e cuidar de seus problemas, que por sinal eram gigantescos. Para uns isso é egoísmo, não mesmo!
Essa parte de sua vida é... Autenticidade.
Até aqui, ele já tinha aprendido a lidar com hipocrisia humana, já não se incomodava mais em conviver num mundo sem reflexos de luz. Acostumou-se com o preto e não permitia que jogassem tintas na sua vida, já era tarde demais para isso –a não ser que ele mudasse de opinião. Mudar de vez em quando é bom, afinal ele é uma metamorfose ambulante e amante das coisas que dizem ser impossíveis. Adora ser desafiado e ser taxado de incapaz, só pra provar que consegue fazer o que realmente quer. Só que ele tinha um defeito cruel, e quem não tem defeitos? Ele era o seu pior inimigo, não acreditava em si mesmo, era uma pessoa medrosa, olhando sempre para os lados demais. Seu maior medo era de nunca conseguir realizar seus sonhos, de nunca ser feliz – seu maior desejo.
Quem também não pensa assim? Pelo menos em um fato ele não estava sozinho.
Essa parte da sua vida é... Estilo próprio.
A partir daqui, começou a se amar de verdade. Passou a se desligar dos problemas alheios impregnados (em parte, nunca conseguiria isso) Começou também a usar seu maior inimigo a serviço do seu coração. Descobriu que tudo isso é saber viver, a pesar que ainda estivesse aprendendo. Resolveu trabalhar seu pessimismo, esquecer um pouco de tudo aqueles que o humilharam um dia, deixar para trás todos aqueles motivos que o atormentavam diariamente, isso era o mais difícil indubitavelmente.
Tudo isso ainda não foi terminado.
Essa parte da sua vida é... Transições.

Mais uma vez foi dito: -Se eu soubesse antes, o que sei até aqui, eu teria feito tudo exatamente igual. Só que teria ido embora antes do final.
Dessa vez em voz alta e num tom muito grave que passava toda a angústia que os seus olhos também complementavam...

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